Em apenas sete meses, três mulheres que eram companheiras de policiais militares morreram em ocorrências envolvendo tiros. Em dois casos, os maridos estão presos por feminicídio. No terceiro, o policial é investigado como suspeito.
Gisele Alves foi morta com um tiro na cabeça, em fevereiro, em São Paulo. O tenente-coronel Geraldo Rosa Neto alegou que a esposa havia usado a arma dele para cometer suicídio, mas ele se tornou réu por feminicídio.
Em Belo Horizonte, Michele Leão morreu cinco meses depois. O policial militar Eduardo Abner Pereira afirmou que ela havia caído da escada. Lesões no corpo, sangue encontrado no apartamento e depoimentos levaram à prisão do policial.
Já em São Paulo, Vinícius Costa Silva está preso e é investigado pela morte da esposa, Larissa Morata, de 29 anos. O caso ainda está sendo apurado.
A Polícia Científica tem papel fundamental nessas investigações. A perícia pode, por exemplo, determinar a distância do disparo e ajudar a verificar se a versão apresentada pelo suspeito é compatível com as evidências.
O tema também envolve a saúde mental dos policiais. A PM de São Paulo afirma manter atendimento especializado. Segundo a SSP-SP, foram realizados 74.180 atendimentos nos últimos três anos.
Para o psiquiatra forense, o acesso imediato a uma arma pode aumentar o risco de reações agressivas mais graves, principalmente em relações marcadas por forte apego emocional.