29/04/2026

Notícia/Região

Primeiro transplante duplo de braços e ombros da história da medicina foi realizado, e foi capaz de recuperar quase 100% dos movimento

Foto: Imagem extraída do site: Lavras 24 horas

Felix Gretarsson, de 48 anos, tornou-se o primeiro paciente no mundo a receber um transplante duplo envolvendo ambos os braços e os ombros. O procedimento inédito foi realizado com sucesso em Lyon, na França, com a participação de quatro equipes médicas especializadas. A informação foi confirmada por profissionais de saúde durante uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (22).

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Segundo os médicos, a complexa cirurgia foi realizada no início de janeiro, e ainda não é possível prever com exatidão o nível de mobilidade que Felix poderá recuperar. "Oferecer um pouco a quem perdeu tanto já é algo muito significativo", declarou Aram Gazarian, cirurgião-chefe responsável pela operação.

Ao longo de vários anos, cerca de 50 profissionais da área médica estiveram envolvidos no processo que culminou na cirurgia, aguardando a identificação de doadores compatíveis. O uso de quatro equipes cirúrgicas teve como objetivo principal reduzir o tempo entre a retirada dos membros do doador e a implantação no receptor.

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Os médicos explicaram que as chances de funcionalidade do braço direito eram mais promissoras do que as do esquerdo, que também exigiu uma reconstrução total do ombro. Ainda assim, até o nono dia após a cirurgia, nenhum problema grave havia sido identificado.

“Com esse tipo de amputação, não há garantias”, afirmou Lionel Badet, responsável por iniciar o protocolo médico do transplante em 2010. “Felix terá um longo período de reabilitação pela frente, mas estaremos com ele durante toda a jornada”, acrescentou.

Um acidente que mudou tudo

Ex-eletricista, Felix Gretarsson perdeu os dois braços em 1998 após sofrer um grave acidente de trabalho. Durante a manutenção de um cabo de alta tensão, uma descarga elétrica de 11 mil volts atingiu suas mãos, projetando-o ao solo. Ele sofreu diversas fraturas, ferimentos internos e ficou em coma por três meses — período em que os braços precisaram ser amputados.

“Após o acidente, perdi tudo: minha noiva foi embora levando nossas duas filhas, perdi minha independência e, com ela, minha identidade”, relata Felix em seu site pessoal.

Em seu relato, ele conta também que enfrentou um período sombrio marcado por depressão e dependência química. “Passei quatro anos em queda livre, mas chegou um momento em que percebi que era mais forte do que imaginava. E que o mundo está cheio de pessoas dispostas a nos ajudar a seguir em frente.”

Hoje, Felix compartilha sua trajetória de superação com milhares de seguidores nas redes sociais e realiza palestras motivacionais. Ele vive com sua esposa, a professora de ioga Sylwia Gretarsson, com quem divide os desafios e conquistas do dia a dia.

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