O homem denunciado pelo assassinato de Carla Alves Pardinho, ocorrido em julho de 2025, em Campo Belo, foi sentenciado nesta quinta-feira (23) a 60 anos de prisão em regime fechado. O julgamento foi realizado no Fórum do município e conduzido pela juíza Maiara Nuernberg Philippi.
O processo corre em segredo de Justiça. O Conselho de Sentença acatou as qualificadoras previstas no artigo 121-A, §2º, incisos III, IV e V, do Código Penal, relacionadas ao crime de feminicídio. Não houve aplicação de pena de multa.
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o réu, Maurício Júnior Valadão, está detido no Presídio de Campo Belo desde 15 de julho de 2025, data em que o crime foi cometido, permanecendo à disposição da Justiça.
Carla Alves Pardinho, de 30 anos, foi atacada com golpes de faca pelo então companheiro, de 28 anos, na tarde do dia 15 de julho de 2025, no bairro Vila São Jorge, em Campo Belo. Testemunhas relataram à Polícia Militar que ouviram gritos e presenciaram o momento da agressão.
A vítima chegou a ser socorrida por uma equipe do Samu, com apoio do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos. Conforme informações médicas, Carla sofreu diversas perfurações na região do pescoço e entrou em parada cardiorrespiratória.
Segundo a Polícia Civil, o agressor desferiu ao todo 11 golpes de faca — oito no pescoço e três nas costas — conforme constatado pela perícia.
**Medidas protetivas**
Ainda conforme a Polícia Civil, dias antes do crime, Carla procurou a Delegacia da Mulher para registrar ocorrência por ameaças e perseguição após o término do relacionamento. Medidas protetivas chegaram a ser concedidas, mas foram revogadas a pedido da própria vítima poucos dias antes do assassinato.
“Ela confiou em quem não demonstrava ser confiável. Infelizmente, retirou a medida protetiva acreditando em uma possível mudança, por esperança. No entanto, ele se mostrou ainda mais agressivo e cometeu esse crime brutal em plena luz do dia, diante do filho dela, de apenas quatro anos”, declarou, à época, a delegada da mulher, Rafaela Franco.
Após o crime, Maurício Júnior Valadão tentou fugir e se escondeu em um imóvel nos fundos da residência da vítima. Moradores chegaram a tentar linchá-lo, mas ele foi detido em flagrante pela Polícia Militar.
A Polícia Militar informou ainda que, depois do ataque, o homem subiu ao andar superior da casa, arrombou a porta de um banheiro e tentou se enforcar utilizando uma corda improvisada. A tentativa não foi consumada porque o material se rompeu. Em seguida, ele tentou escapar pelos fundos do imóvel.
O suspeito apresentava escoriações no rosto e nas costas, atribuídas à tentativa de linchamento, além de marcas no pescoço decorrentes da tentativa de suicídio.
A Polícia Civil também informou que a rede de proteção do município foi acionada para prestar acompanhamento psicológico e assistência social ao filho da vítima, de quatro anos.