01/07/2026

Notícia/Colunista

Por Dr. Tássio Alvarenga Lopes: O anancástico da River Anne, 413!

E ele novamente acordou por volta das 5h30 da manhã e repudiou a todos que ainda jaziam em seus leitos. ' Como podiam dormir até mais tarde?' 'Que perda de tempo desnecessária! '

Acordou, foi assistir o jornal matinal degustando seu café preto sem açúcar e já pensando como seria o seu dia de trabalho em uma repartição pública onde trabalhava, paradoxalmente, com recursos humanos.

Digo, paradoxalmente, pois o intrépido ortodoxo sempre classificava as relações humanas como efêmeras e fugazes, insuficientes para satisfazer as necessidades básicas de um homem racional. Talvez por isso escolhia muito bem as palavras do vernáculo em seus discursos diários, o que mantinha as pessoas mais incautas, recuadas e distantes de seu ser.

Dizia sempre não ter amigos, mas estava sempre rodeado por bajuladores que interessados nos serviços que ele dispensava na tal instituição pública, hipnotizavam-se com seus jogos de palavras e frases prontas com valores morais aceitos pela sociedade vigente.

Chegava sempre 15 minutos antes de se iniciar o trabalho público. Também era o último a sair. Pontualidade era seu ponto forte. Para ele, associar matemática e física as demandas diárias seria a forma de salvar a humanidade do fracasso moral e dar a nação o desenvolvimento de que necessitava. Associava pontualidade, perfeccionismo, velocidade de realização de tarefas e objetivos algébricos estritos como nenhum colega conseguira fazer antes.

Era admirado por isto, mas ao mesmo tempo odiado, pois media os outros conforme sua regra pessoal de valores. Intrometia-se em trabalhos de terceiros e os expunha a ridículo frequentemente.  Dizia, sem escrúpulos, que se tratavam de seres emburrecidos, inebriados por valores afetivos evolutivamente inferiores. Para ele, a emoção era o calcanhar de Aquiles da razão e, portanto, inimiga da vida humana terrestre.

Ao sair do trabalho, dirigia- se para casa em seu carro antigo, o qual não trocava, mesmo tendo condições financeiras para isto. Dizia que não se podia trocar o certo pelo duvidoso e que evolução tecnológica seria uma armadilha de pessoas ardilosas ávidas pelo nosso dinheiro. E, em assunto de dinheiro, era avarento, não vendo com bons olhos gastos em nada que não fosse o mínimo necessário, uma vez que não se podia prever o futuro, sendo necessárias previsões fartas. Quem sofria com isto eram sua esposa e seu único filho, que se viam sempre vivendo em racionamentos nada inteligíveis. 

Casado, via no matrimonio a formar de perpetuar a espécie humana. Sua esposa, encarava como sua fonte de prazer, não dispensando a ela nenhuma forma de carinho, até porque não sabia expressa-lo a nenhum ser. Seu filho fora criado como alguém que lhe devia admiração e satisfação infinitas. Se seus familiares fossem contra seus princípios e valores, eram reprimidos com violência verbal e física e sofriam repressões psíquicas e afetivas desumanas.

Sentia-se realizado em viver desta forma, batendo ao peito e dizendo aos quatro cantos: ' Sou o melhor no que eu faço, dou tudo o que minha família precisa e não sou como certas pessoas ...'

 

To be continued...

autor

POR: DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDÊNCIA MÉDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

CRMMG 47.499 RQE 34.293

 

RUA EXPEDICIONÁRIO BOAVIDIR MASSOTE, 354, CENTRO CAMPO BELO/MG

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