O aumento do tempo que crianças passam diante de celulares, tablets e computadores tem gerado preocupação entre especialistas. Além de influenciar o comportamento e a visão, o hábito pode prejudicar o desenvolvimento dos ossos, especialmente quando substitui atividades físicas comuns da infância, como correr, pular e brincar ao ar livre.
A infância é considerada uma fase essencial para a formação da massa óssea, estrutura que dará sustentação ao corpo ao longo da vida. A falta de movimento nessa etapa pode reduzir estímulos importantes para o fortalecimento dos ossos.
De acordo com orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças e adolescentes devem realizar, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, preferencialmente exercícios aeróbicos.
Segundo o ortopedista Fabiano Nunes, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, movimentos que envolvem impacto, como correr e saltar, contribuem para estimular o crescimento e o fortalecimento da estrutura óssea. Quando a rotina infantil passa a ser mais sedentária, com longos períodos em frente às telas, esse estímulo natural diminui.
Outro ponto observado por especialistas é que o uso prolongado de dispositivos eletrônicos pode favorecer postura inadequada, fraqueza muscular e dores, fatores que também interferem no desenvolvimento saudável do sistema musculoesquelético.
Problemas na formação óssea durante a infância podem trazer consequências no futuro. Entre elas estão maior risco de fraturas, redução da densidade óssea e doenças como osteopenia e osteoporose, além de dores articulares e alterações posturais.
O excesso de tempo em ambientes fechados também reduz a exposição ao sol, importante para a produção de vitamina D, nutriente fundamental para a absorção de cálcio e para a manutenção da saúde dos ossos.
A OMS ainda estabeleceu como meta global reduzir em 15% os níveis de inatividade física entre adolescentes e adultos até 2030, em comparação com os índices registrados em 2010.
Quanto ao uso de telas por crianças e adolescentes, as recomendações atuais indicam limites de acordo com a idade: