02/06/2026

Notícia/Campo Belo

Ultraprocessados já são quase um quarto da alimentação dos brasileiros

Você sabia que, desde os anos 80, a presença de ultraprocessados no prato dos brasileiros mais que dobrou, saltando de 10% para 23%?
A informação faz parte de uma série de estudos divulgados por mais de 40 pesquisadores, incluindo especialistas da USP.

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 E não é só no Brasil.
Uma análise envolvendo 93 países revelou que o consumo desses produtos cresceu quase no mundo inteiro. O Reino Unido segue estável em 50%, e os EUA lideram com mais de 60% da dieta composta por ultraprocessados.

Segundo os pesquisadores, essa mudança global nos hábitos alimentares é resultado direto da influência de grandes corporações, marketing agressivo e pressões políticas que dificultam avanços em políticas de alimentação saudável.

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COMO ESSE CONSUMO CRESCEU NO MUNDO

  • Espanha e Coreia do Sul: triplicaram o consumo nos últimos 30 anos.
  • China: passou de 3,5% para 10,4%.
  • Argentina: de 19% para 29%.
  • Países ricos já partiam de níveis mais altos, enquanto nações de menor renda tiveram saltos ainda maiores.

Além da renda, fatores culturais também influenciam: Canadá chega a 40%, enquanto Itália e Grécia permanecem abaixo de 25%.

Esse movimento se intensificou após os anos 80, com a globalização — o mesmo período em que aumentaram as taxas de obesidade e doenças crônicas no mundo.

O QUE A CIÊNCIA TEM MOSTRADO?

Uma revisão de 104 estudos de longo prazo revelou que 92 deles encontraram associação entre dietas ricas em ultraprocessados e riscos maiores de:

• Obesidade
• Doenças cardiovasculares
• Diabetes tipo 2
• Certos tipos de câncer
• Doenças inflamatórias intestinais

A conclusão dos cientistas é clara: substituir alimentos naturais por ultraprocessados tem impacto direto na saúde global.

AFINAL, O QUE SÃO ULTRAPROCESSADOS?

A classificação criada por pesquisadores brasileiros divide os alimentos em 4 grupos:

1. Alimentos in natura/minimamente processados: frutas, legumes, carnes frescas, grãos embalados.
2. Ingredientes processados: óleo, açúcar, sal.
3. Alimentos processados: conservas, pães simples, queijos, sucos 100% fruta.
4. Ultraprocessados: fórmulas industriais com ingredientes baratos e aditivos, como corantes e aromatizantes. Exemplos: biscoitos recheados, refrigerantes, macarrão instantâneo, iogurtes adoçados.

O objetivo dessa classificação é ajudar a entender como o processamento influencia a saúde e orientar políticas públicas como o Guia Alimentar brasileiro.

RECOMENDAÇÕES DOS PESQUISADORES

Para reduzir o impacto dos ultraprocessados, os especialistas sugerem:

  • Destaque nas embalagens para aditivos como corantes e aromatizantes
  • Proibição desses produtos em escolas e hospitais
  • Regras rígidas para publicidade infantil
  • Aumento da disponibilidade de alimentos frescos
  • Taxação de ultraprocessados para subsidiar comida de verdade para famílias vulneráveis

O Brasil aparece como exemplo no PNAE, que determina que 90% dos alimentos servidos nas escolas públicas sejam in natura ou minimamente processados.

O PAPEL DAS GRANDES EMPRESAS

Os estudos reforçam que o aumento do consumo não é culpa individual.
Ele é consequência de estratégias de mercado que priorizam produtos baratos, duráveis, altamente palatáveis e extremamente lucrativos — um setor que movimenta 1,9 trilhão de dólares por ano.

Esse poder econômico influencia políticas públicas, hábitos e até a forma como as pessoas se alimentam em escala global.
 

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