Conforme prévia convocação da UPB, o Sindpol/MG participou do movimento contra a Reforma da Previdência, realizado na praça da Assembleia Legislativa, na tarde de hoje (15), e realizaram também, a Assembleia Geral para deliberarem o posicionamento da Segurança Pública brasileira, perante a imposição do Governo Federal em mexer com a aposentadoria dos policiais e dos demais servidores públicos.
Haviam centenas de policiais civis, federais, rodoviários federais, guardas municipais, agentes penitenciários e socioeducativos, que decidiram, em votação, por unanimidade, o estado de alerta com indicativo de greve geral, caso o Governo Federal leve a PEC 287/16 para votação. “Essa Assembleia Geral aconteceu nos demais Estados, e se o presidente Michel Temer não recuar, haverá greve geral da Segurança Pública em todo o país. Não vamos aceitar que acabem com os nossos direitos, vamos lutar até o fim contra essa PEC da Morte, por isso convocamos os policiais civis e demais operadores de Segurança Pública de Minas Gerais, para ficarem mobilizados e em estado de alerta, assim como já estão os demais operadores nos 26 Estados e no DF, porque se for necessário, a Polícia vai parar”, disse Denilson Martins, presidente do Sindpol/MG.
Segundo o vereador e presidente do Sindguarda/MG, Pedro Bueno, os policiais e a população não podem aceitar que um Governo citado tantas vezes na Lava Jato realize uma reforma, que nem reforma é, pois destrói os direitos adquiridos. “Esse Governo não tem moral, porque todo dia é um escândalo novo”, afirmou.
O policial federal Marco Aurélio Bolpato, disse que não vê essa PEC 287/16 como uma Reforma. “Isso não é uma Reforma, mas uma destruição de tudo aquilo que levamos décadas para conquistar, com o objetivo de ter uma aposentadoria digna”, pontuou. Já o investigador da PCMG, Fernando Diniz, disse que o Governo Federal quer retirar todo o direito adquirido dos policiais. “Sem a polícia não existe democracia, muito menos sociedade, a exemplo disso, vimos o que aconteceu com o Espírito Santo quando a polícia parou”, afirmou o policial.
A diretoria do Sindpol/MG está mobilizada e conta com o apoio dos policiais civis. “Precisamos unir forças nesse momento, porque não podemos perder nossos direitos, se for necessário, vamos a Brasília parar o Congresso Nacional, mas impedir que a PEC da Morte seja aprovada. É importante destacar que a classe política do país, em Brasília, não tem moral e nem idoneidade para propor qualquer reforma que impacte na vida da sociedade brasileira, ademais não se faz reformas em tempos de crise política, econômica e Institucional, nem diante da maior recessão da história desse país. Antes de pensar em reforma, é essencial que se restitua a ordem democrática que foi rompida pelos corruptos que estão no poder. Mexer com a aposentadoria do trabalhador brasileiro, é mexer em vespeiro. E policial, operador de Segurança, quando agem e reagem, não faz golpe, mas sim revolução, retirando os corruptos do poder. Greve Geral será só o começo”, disse Denilson Martins.
Interior
Mas as mobilizações não aconteceram apenas na capital mineira, mas em todo o Estado. Os policiais civis do interior também foram às ruas juntamente com demais segmentos do funcionalismo e da classe trabalhadora, mobilizados contra a “PEC da Morte”.
Em Ipatinga, os policiais civis se mobilizaram com faixas, cartazes e passeatas pelas ruas da cidade. Saindo do Vale do Aço e indo para o Sul de Minas, os policiais de Varginha, Três Corações e São Lourenço também protestaram contra a PEC 287/16. O mesmo aconteceu em Montes Claros, no Norte de Minas, com milhares de funcionários públicos, trabalhadores e policiais civis, que puxaram e encabeçaram o movimento. Em Juiz de Fora não foi diferente, também milhares de trabalhadores aderiram à paralisação, tendo também destaque a participação dos policiais civis e da direção local do Sindpol/MG.
Deliberação
Ao final da segunda chamada, às 14h30, o presidente do Sindpol/MG Denilson Martins, na condição de presidente da AGE, da UPB/MG, colocou em discussão e votação a proposta da direção Nacional de decretação de imediato estado de alerta, com indicativo de greve geral, por tempo indeterminado, caso o Governo Federal prossiga na votação da PEC 287/16, da forma com que foi apresentada. Proposta que foi aprovada por unanimidade das centenas de policiais e operadores de Segurança Pública presentes, com apenas uma abstenção, sem voto contrário.
Após essa deliberação, os participantes da AGE, se incorporaram a Audiência Pública, que se realizou na Praça da ALMG, onde autoridades em Previdência Pública, como o ex-ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, esclareceram as inverdades dos argumentos do Governo Federal, quanto o rombo do caixa da Previdência, e a necessidade de reformas. Em sua explanação, o ex-ministro, que também é funcionário de carreira do Ministério extinto, há 32 anos, deixou bem claro que a Previdência Pública brasileira é a mais equilibrada do mundo, e que até 2014, sempre foi superavitária, na ordem de mais de 30 bi/anos, logo não se justifica sob quaisquer argumento a falácia apresentada pelo Governo, de déficit. O ex-ministro contra-argumentou cada ponto da PEC 287/16, demonstrando que o problema é de gestão, e não de caixa. Ao final, também foi deliberado a participação maciça dos componentes da UPB e demais segmentos do funcionalismo, na próxima caravana para Brasília, momento em que será radicalizada as ações dos sindicatos contra a referida PEC, a data será divulgada pelo comando e direção do movimento, e repassada a cada entidade da coordenação.