Adquirir um carro zero-quilômetro continua sendo um desafio para grande parte dos brasileiros. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que o Brasil está entre os países com a maior carga tributária incidente sobre automóveis entre as principais economias do mundo.
Segundo a entidade, em média, cerca de 44% do valor pago por um veículo novo corresponde a impostos. Em alguns modelos, a tributação pode ultrapassar a marca de 50% do preço final.
Na prática, isso significa que, em um automóvel vendido por R$ 100 mil — valor atualmente próximo ao de muitos modelos considerados de entrada — mais de R$ 40 mil podem ser destinados ao pagamento de tributos.
Especialistas destacam que o cenário contribui para tornar o carro novo um bem cada vez menos acessível à população, especialmente considerando a renda média dos trabalhadores brasileiros.
O debate também envolve o retorno oferecido em serviços e infraestrutura. Críticos da elevada carga tributária apontam problemas recorrentes como a má conservação de rodovias, congestionamentos frequentes nos centros urbanos e deficiências no transporte público, questionando se os recursos arrecadados são revertidos em melhorias compatíveis com o valor pago pelos contribuintes.
A discussão sobre a tributação de veículos segue entre os temas mais debatidos por consumidores, setor automotivo e especialistas em economia no país.