02/03/2021

Notícia/Colunista

Por Dr. Tássio Alvarenga Lopes: Eu ouço gente má o tempo todo!

Todo mundo se assusta quando fica sabendo de um crime hediondo, mas vive entre a maldade e se deleita dela, desde que ela não ultrapasse certos limites "socialmente aceitáveis!"

 

O desconhecido foi morto a tiros em um beco escuro e racionalizamos indiferentemente e imediatamente: "Como o mundo está mal!"

 

O conhecido endinheirado mata a família com requintes de crueldade e vamos para a rua estampar camisetas e cartazes contra a violência crescente, que fortuitamente nos atingiu. 

 

O político afamado desviou recursos públicos e, mesmo assim, o justificamos e o defendemos e votamos nele quantas vezes se fizerem necessárias.

 

O garoto de rua rouba nosso toca-fitas (nem sei se existe isso mais), sacamos a arma, damo-lhe um tiro e ainda balbuciamos: "Vagabundo tem que ir para o inferno mais cedo!"

 

Hipocrisia!!! está aí mais um traço de psicopatia - hipocrisia em doses alucinógenas!

 

Existe gente má? Claro! E muitas! 

 

Pessoas que preenchem critérios para transtorno de personalidade antissocial conversam com nós o tempo todo! estima-se que 3% da população seja portador de transtorno de personalidade antissocial e que 30% destes antissociais sejam psicopatas (um grau mais avançado de insensibilidade afetivo-emocional).

 

Isto é, em uma cidade de 50.000 pessoas, existiriam, em média 1.500 pessoas com potencial de praticar atos contínuos de maldade e, talvez, 500 pessoas com gozo malévolo letal mais pronunciado!

 

Assustou com esta informação? Por isso, o título do texto: "Eu ouço gente má o tempo todo!" atenção ao seu derredor!

 

O que se sabe sobre o transtorno de personalidade antissocial é que teria origem ao longo do desenvolvimento da criança e adolescente, ou seja, ninguém vira mal de uma noite para o dia. Cerca de 45% das pessoas más apresentavam comportamentos opositivo-desafiador e transtorno de conduta na infância e adolescência.

 

A maldade vai sendo lapidada em uma base pessoal genética com importantes contribuições familiares e sociais na gênese de todo este processo. 

 

Certas características de temperamento são compartilhadas geneticamente entre pais e filhos, o que explica, em parte, maior agregação de comportamentos antissociais em certos clãs familiares. Crianças mais hiperativas, mais extrovertidas, mais impulsivas, com baixo autocontrole menos conscienciosas são o grupo mais predisposto a gerar psicopatas.

 

Além de questões genéticas, fatores sociais e familiares contribuem para o processo de formação de comportamentos disruptivos, tais como, falta de vínculo entre pais e filhos, falta de disciplina familiar, exposição a violência Doméstica, maus-tratos, vizinhança violenta e influência de pares violentos.

 

E como identificar uma pessoa antissocial?

 

Veja alguns sinais:

 

  1. Loquacidade/charme superficial
  2. Autoestima inflada
  3. Mentira patológica
  4. Manipulação
  5. Falta de remorso ou de culpa
  6. Insensível-frio
  7. Falta de empatia
  8. Não aceita responsabilidade pelos próprios atos
  9. Tendência ao tédio
  10. Estilo de vida parasitário
  11. Descontrole comportamental
  12. Ausência de metas realistas
  13. Impulsividade
  14. Irresponsabilidade
  15. Delinquência juvenil
  16. Transtorno conduta na infância
  17. Promiscuidade sexual
  18. Maus tratos com animais
  19. Falta de respeito aos direitos e bens do próximo
  20. Tendência à corrupção
  21. Falsidade e falsificação
  22. Descaso pela sua própria segurança e a de terceiros
  23. Fracasso em se ajustar às normas e leis sociais 
  24. Vingança e premeditação do mal
  25. Falta de honra com compromissos no trabalho e financeiras

 

E voltando ao início de nossa conversa, gente má existe em todo lugar e, só hoje, você já conversou com várias. Pode até ser que você que está lendo seja um sociopata. No entanto, volto a afirmar, é fácil se revoltar com comportamentos de extrema violência propagados pela imprensa, difícil, é combatermos no cotidiano, as infrações menos graves cometidas por amigos antissociais, as quais nos beneficiam esporadicamente. 

 

Toda atitude que fere o direito dos outros tem que ser combatida desde os primeiros anos de vida de quem a comete, seja através do treinamento de solução de problemas para o infrator, do treinamento de manejo dos pais do acometido e da terapia familiar funcional e multissistêmica.

autor

POR: DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDÊNCIA MÉDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

CRMMG 47.499 RQE 34.293

 

RUA SANTOS DUMONT, 271, CENTRO CAMPO BELO/MG

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