14/08/2020

Notícia/Colunista

Por Doutor Tássio Alvarenga Lopes: a garota do bungee jumping!

Foto: Dr. Tassio Alvarenga Lopes

E aquele dia o telefone tocou diferente! ela se jogou da janela do décimo andar! E minha vida mudou de repente! em seus belos olhos eu não poderia mais olhar!

E talvez a lembrança mais afetiva de que eu tenha dela fora aqueles olhos esverdeados lindamente realçados pelos tênues raios solares daquela manhã. Estávamos conversando sentados ao lado de uma cantina e ela me relatava seus dissabores amorosos e, de vez quem quando, esboçava um pálido sorriso ao falar de algum sonho que gostaria de realizar!

Ela vinha namorando um rapaz com o qual não estava bem! Hoje se fala em relação tóxica , mas naquela época o termo 'apaixonite' se encaixava melhor. Não estava feliz, mas não conseguia se desligar de tal envolvimento amoroso. A cada dez palavras que dizia, nove se referiam a tal rapaz. Sempre chorosa e lamuriosa, claramente se via que estava se dirigindo ao abismo existencial.

Em um raro lampejo de lucidez mental expressou com doçura e determinação: " quero pular de bungee jumping, mas sozinha não vou"! Perguntei a ela por que não iria com seu namorado? Ela me sussurrou que ele achava aquilo ridículo! Prontamente me propus a ir com ela!

Era sábado e morávamos em uma cidade onde havia um pico montanhoso turístico de onde muitos praticavam tal modalidade esportiva radical. Ela ficou eufórica com a ideia, mas me disse que não poderia ir pois gastaria 150 reais e só possuía 100 reais. Prontamente pus a mão no bolso e lá estavam exatos cinquenta reais. Passei a ela o dinheiro e gritei: " Vamos agora"!!!

Saímos caminhando rumo ao bonde que nos levaria ao local do salto. Quando íamos adentrar o vagão do referido bondinho, ela foi tomada por um sentimento de negativismo intenso e não quis mais ir. Foi como se algo ou alguém estivesse em sua mente e a impediu subitamente de realizar seu sonho. Tentei em vão convencê-la do contrário!

Dias depois encontrei minha amiga andando cabisbaixa pela praça da cidade. Contou-me arrependida de ter usado os 100 reais para comprar um presente para o tal rapaz por quem estava apaixonada, mas, com lágrimas nos olhos me externou: " Nada mudou"!

Semanas depois, meu telefone tocou - minha amiga tinha se jogado do décimo andar!? 

Por quê? Saltou do décimo andar sem proteção e não saltou de bungee jumping? não se permitiu viver seu sonho e se jogou no abismo de um relacionamento doentio! se matar sem se permitir viver sonhos, experimentar cheiros e sabores, conhecer pessoas, viajar a cidades e países,  enfim, se matar sem dar um salto rumo a uma vida diferente e com pessoas distintas.

Que a garota do bungee jumping seja um exemplo para nós de como nos permitir viver é o primeiro passo de nos afastarmos da experiência da morte prematura!

autor

DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

CRMMG 47.499 RQE 34.293

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDENCIA MEDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

 

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