21/05/2026

Notícia/Campo Belo

Campobelenses participam do "Desafio de Aparecida" e percorrem quase 300 km de bicicleta, veja!

Aconteceu no dia 21 de junho, a prova de Montain Bike "Desafio de Aparecida". Prova que inicia-se na cidade de Alfenas com destino ao Santuário de Aparecida do Norte/SP, totalizando 282 km por estradas de terra, trilhas e serras. Onde teve a participação de 3 atletas campobelenses, Paulo de Tarso, Moisés Maia e Antônio Carlos Carneiro Junior. Os três integrantes da equipe Montana Bike de Campo Belo.

Para participar de uma prova como essa foi preciso muito planejamento, com no mínimo 6 meses de antecedência. Onde os atletas precisaram simular a prova percorrendo 300 km aqui na região.

Em contato com Paulo, o atleta nos informou um pouco sobre a prova e a grande experiência nesta inédita participação.

Paulo: -Bom, chegou o dia, fomos recebidos no local da largada com um jantar a base de macarrão com molho e/ou alho e óleo, carboidrato puro para aguentar a jornada, ao menos por algumas horas, pois a prova já conta com pontos de apoio de 30 em 30 km, contendo água, frutas, bolos, macarrão, dentre outros alimentos, então só basta medir a demanda enérgica individual e realizar paradas durante o percurso. Imediatamente antes da largada ocorreu um pequeno briefing da prova, seguido de oração. Foram 2 largadas, a primeira do nosso integrante Júnior, às 18 horas, por ter um tempo de 24 horas para completar (categoria esporte). E a outra largada, minha e do Moisés, que aconteceu às 22 horas da noite, com os competidores da categoria Pró que teriam que finalizar a prova em até 20 horas para receberem a medalha finisher e também concorrerem à podium em suas categorias. Largamos, atravessamos a cidade de Alfenas , os bares lotados, e nós lá, loucos, sedados de pura adrenalina e ansiosos pelo que iríamos enfrentar pela frente. Ao entrar na estrada de terra, logo vimos a Lua ajudando a clarear a estrada.

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-Levantou aquela nuvem de poeira dos 190 participantes e formou-se uma fila de bikes que se via ao longe pela iluminação dos fortes faróis e Luminosos traseiros. Gente te ultrapassando, você ultrapassando também, mas tudo de acordo para não exagerar no início, para que pelo menos o básico fosse feito, completar a prova dentro do tempo limite. Íamos passando em cidades como Guaipava, Douradinhos, Cordislândia, Turvolândia, Careaçu, São S. Da Bela Vista até subir a serra de Santa Rita, e sempre no alto de alguma serra, aquele ponto de apoio caloroso, prontos para fornecer a melhor estrutura. Já pegavam sua bike, enchiam as garrafas de água, passavam óleo nas secas correntes, porque nessa época do ano tem muita poeira, e também serviam aquele café quentinho.

-Às 4:30 da manhã, que para mim foi a hora mais fria da madrugada, o GPS marcou a temperatura de 1°C . As pontas dos pés, rosto e os dedos da mão, mesmo com luvas estavam dormentes de frio. E isso já com cerca de 6 horas de pedal e com 145 km já pedalados.

-Com pouca demora já saímos em retirada dos pontos de apoio para não perder muito tempo.

-Por vezes pedalávamos em grupo, por vezes sozinhos, cada um no seu ritmo. Havia o medo ainda de se perder no escuro e com alta poeira, mas o trajeto estava tão bem marcado que logo aparecia uma sinalização que fazia com que seguíssemos despreocupados. Já próximo à cidade de São José do Alegre começava a clarear o dia. Parei no apoio para deixar meus faróis e retirar algumas camadas de blusas, para aliviar um pouco de peso. Aproveitei também para encher a mochila de água e as garrafinhas. Logo fui surpreendido com meu parceiro de equipe Moisés, que havia ficado para trás logo no início, para ajustar um detalhe em sua bike. Já com 170 km seguimos para Itajubá. Tivemos que guardar os óculos, pois a poeira os sujou ao ponto de ser impossível utilizá-los. Já sentindo o sono e a falta de reflexo pela noite em claro e pela concentração excessiva para não cometer qualquer erro no trajeto a noite, o cansaço “bateu”. Logo chegamos no apoio de Itajubá, o estômago já não queria aceitar comida, chegando a dar ânsia, mas tínhamos que forçar se quiséssemos continuar, para não faltar energia. Retiramos os demais agasalhos, nos alimentamos e seguimos para a parte que só estava começando a ficar difícil, que era a subida de 14 km de Wenceslau Braz em plena Mantiqueira. Mas antes de sair de Itajubá, nosso 3° parceiro de equipe estava lá, no apoio, se aquecendo, deixando o término dessa aventura para o próximo ano. Ele com apenas 4 meses que iniciou no esporte, tentou se arriscar com “a cara e a coragem”. São 282 km ao todo, ele conseguiu completar 180 km, o que já foi um feito inédito para um pessoa com tão pouco tempo no esporte.

-Chegando à subida de Wenceslau, a que destina-se ao charco, era interminável, 14 km que você não conseguia hora nenhuma enxergar seu cume. Era preciso revezar entre posições na bike para tentar diminuir as dores. Ao terminar essa subida, era hora das trilhas. Trilhas belíssimas porém muito úmidas e enlameadas, atenção redobrada porque agora era hora dos braços fazerem força. Ao terminar as trilhas da mata, 4 sequências de subidas íngremes em campos feitos pelos romeiros que vão à pé e que eram impossíveis de subir pedalando. Empurrar a primeira parte foi até bem, da segunda até a 4° os joelhos reclamavam de dor por você ter que colocar a bike no trilho fundo e subir ao lado do barranco para empurrar. Era uma guerra psicológica aonde dava vontade de parar, mas tínhamos um objetivo, e buscava sempre em minha mente minha música mantra, para voltar o foco e concentração. Logo que atravessamos as partes de trilhas pegamos o platô da Mantiqueira, a parte do carneiros, à qual o nome já diz, são longas Campinas para a criação de ovelhas.

-Logo após, tudo que sobe muito uma hora desce muito. Chegou a famosa descida das Pedrinhas. Trecho com muitas pedras que serpenteiam a descida para amenizar sua inclinação. Com formato de Zig Zag tem um trecho de 15 km de descida, os braços chegam a dar até câimbra de tanto desforço sem descanso. Logo chegou no plano que liga o bairro Potim a Aparecida, são 25 km finais de pura “baixada”. Seu cansaço, seu desgaste, sua falta de energia, tudo some ao avistar a basílica mesmo de uma longa distância. Você se renova e volta com as forças do início. São 260 kg nas costas e você pedalando a uma média de 30 km por hora, não vê a hora de chegar.

-Aos 282 km sem mais e nem menos chegamos. Com uma marca de 15 horas e 30 minutos, Paulo de Tarso em 4° em sua categoria e 17° geral da prova. Moises em 8° em sua categoria e 30° na geral.

-Se perguntarem a nós o que achamos e se vamos voltar!? Achamos incrível a experiência e saber até aonde conseguimos ir e os limites do nosso corpo. Cada um com seu objetivo, cada um com sua fé. Mas hoje, não sei se é pelo cansaço, considero que essa prova foi desumana, dura demais para tentar explicar, só indo para sentir, digo que hoje não voltaria novamente. Talvez outros desafios menores agora.

O site Portal Campo Belo parabéns à equipe Montana Bike pela coragem em se inscrever em algo tão grande e jamais pensado por atletas da região. Um grande evento com a participação de grandes atletas. Parabéns pela conquista e pelo exemplo de amor ao esporte que com certeza influenciará muitos jovens da cidade e região.

Ainda de acordo com Paulo, a equipe Montana Bike está a disposição de qualquer atleta que deseja participar deste desafio, onde poderá passar um pouco da experiência que obteve nesses 282km de provas.

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