23/07/2019

Notícia/Colunista

Por Dr. Tássio Alvarenga Lopes: Demência vascular, um mal silencioso!

Foto: Dr. Tassio Alvarenga Lopes

A sociedade está envelhecendo, as mulheres já possuem uma expectativa de vida de 80 anos frente a 75 anos dos homens, e pouco se fala sobre uma doença silenciosa e incapacitante - a demência vascular!

Demência é o nome geral de um grupo de doenças que afeta principalmente os idosos e quem tem na doença de Alzheimer seu principal exemplo. Mas, a demência vascular caminha, na maioria das vezes, junto ao Alzheimer e, em poucos anos, será a doença demencial mais comum no brasil e no mundo. (E quase ninguém se preocupa com isto).

A demência é caracterizada por um declínio das funções cognitivas pessoais, isto é, uma redução quase irreversível de funções mentais, tais como, orientação temporal, memória recente, atenção, pensamento, sensopercepção e psicomotricidade. Em outras palavras, um idoso que antes mantinha seu raciocínio e independência intactos, passa a apresentar "falhas mentais" e passa a depender de seus parentes para executar funções básicas diárias.

Muito se fala da doença de Alzheimer quando se começa a esquecer de fatos do cotidiano, de nomes de pessoas próximas, de datas e de compromissos, mas, pouca atenção é dada a uma demência que será mais prevalente do que o Alzheimer - a demência vascular. No início desta doença a perda da memória não é tão pronunciada.  A pessoa comprometida passa a ficar mais lentificada, com passos mais curtos e com maior tendência a quedas e fraturas. É comum se notar um tremor leve de extremidades. O idoso fica apático, desmotivado e abandona as atividades prazerosas do dia a dia. Pode apresentar incontinência fecal e urinária e convulsões. São comuns delírios persecutórios e de ciúmes, com ideias de estar sendo perseguido, envenenado ou traído pelo cônjuge. Somente mais tarde é que os esquecimentos aparecem e se destacam. Como a sociedade está condicionada a pensar em demência somente quando o parente começa a apresentar esquecimentos e, como a demência vascular não apresenta em seu início esquecimentos proeminentes, o diagnóstico desta doença se retarda por anos.

Falar em demência vascular é reforçar, principalmente, sua prevenção. Você sabia que é possível prevenir e/ou adiar o aparecimento desta doença? Você já foi orientado por seu médico clínico ou geriatra ou cardiologista de que os mesmos fatores de risco para infarto cardíaco e derrame cerebral são os fatores que causam tal patologia? É isto mesmo! Quer evitar viver os anos finais de sua vida sem poder dirigir, sem poder se vestir sozinho, sem poder ir a um banco e administrar suas finanças, enfim sem manter sua independência mental? Então mantenha sua glicemia e seu colesterol e triglicérides dentro dos valores normais, fique de olho nos valores do exame de tireoide, alimente-se bem com valores saudáveis de vitamina B12 e ácido fólico, beba 2 a 3 litros de água por dia permitindo uma função renal adequada, evite fumar e beber etílicos em quantidades prejudiciais e pratique uma boa leitura e atividade física regular. Em linhas gerais, quando você controla todos os fatores de risco para acidente vascular encefálico e para infarto do miocárdio, está também prevenindo a demência vascular e garantindo um final de vida com muito bem estar e qualidade.

Vamos difundir este conhecimento - nem todo paciente que está apresentando esquecimento tem doença de Alzheimer e, simplesmente por não ter tais esquecimentos, não se pode descartar um quadro demencial em andamento. Diagnóstico precoce é garantia de tratamento assertivo e bom prognóstico.

autor

DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

CRMMG 47.499 RQE 34.293

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDENCIA MEDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

 

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