21/07/2019

Notícia/Região

Número de mortes em acidentes de trânsito cresce 29,8%, veja!

Foto: Polícia Rodoviária Federal

O número de mortes em acidentes de trânsito aumentou 29,8% no 1º trimestre deste ano no Sul de Minas em comparação com o mesmo período do ano passado. Só em 2019, pelo menos 74 pessoas morreram na região até o fim de março, contra 57 do mesmo período de 2018.

Das 74 mortes registradas entre 1º de janeiro e 31 de março, a maioria, 77%, foram registradas em rodovias da região. A BR-459 foi a rodovia que mais registrou mortes nesse período: 10 no total. Só na região de Pouso Alegre foram quatro.

O caso mais grave na BR-459 aconteceu no dia 24 de março, quando um motorista embriagado bateu de frente com outro carro e matou três pessoas. O homem, que também não tinha carteira de habilitação, tentou fugir, mas foi preso. Em depoimento, ele admitiu que consumiu vodka e cerveja antes de pegar o volante e sair para a rodovia. Entre as três vítimas, está a mulher dele, que morreu no local.

Esposa de motorista embriagado e pai e filho morreram em acidente em MG — Foto: Reprodução Facebook / TerradoMandu

Esposa de motorista embriagado e pai e filho morreram em acidente em MG — Foto: Reprodução Facebook / TerradoMandu

Além da BR-459, outras rodovias que mais registraram mortes foram a Fernão Dias (7), a BR-267 (7) e a BR-354 (6). Entre os municípios, Pouso Alegre, Machado, Ouro Fino e Passos registraram quatro mortes cada, seja em rodovias ou no perímetro urbano.

Rodovias que mais registraram acidentes no 1º trimestre de 2019

Rodovia Número de mortes
BR-459 10
Fernão Dias 7
BR-267 7
BR-354 6
BR-369 4
MG-459 4
BR-146 3
BR-265 3
BR-491 3

Fonte: G1 / PMR / PRF / Corpo de Bombeiros

O levantamento é baseado em dados obtidos junto às Polícias Militar, Civil e rodoviária, além do Corpo de Bombeiros. Por meio de registros diários, é possível traçar o cenário de acidentes na região. O número pode ter variação em relação aos dados divulgados pelo Estado.

 

Perfil dos acidentes

Das 74 mortes registradas na região nos três primeiros meses do ano, 47,3% aconteceram em acidentes envolvendo carros de passeio. Mas logo em seguida aparecem as mortes envolvendo motocicletas: 32,4%.

Mortes envolvendo veículos como caminhões e carretas tiveram um índice menor: 8,1%. Seis pessoas morreram em decorrência de atropelamentos em rodovias e perímetro urbano e outras duas ao perderem o controle de bicicletas.

Onde estavam as vítimas fatais de acidentes no Sul de MG

74 pessoas morreram nos primeiros 3 meses do ano na região

  • Carros de passeio: 47,3 %
  • Motocicletas: 32,43 %
  • Caminhão / Carreta: 9,46 %
  • Bicicletas: 2,7 %
  • Atropelamentos: 8,11 %

Fonte: G1 / PMR / PRF / Corpo de Bombeiros

Das 74 vítimas, 70,2% são homens e 17,5% são mulheres. Cinco crianças e um adolescente também morreram em acidentes. Em três casos, as autoridades não informaram quem eram as vítimas.

Outros casos

Além do caso do motorista embriagado que matou três pessoas na BR-459, em Pouso Alegre (MG), outros acidentes chamaram a atenção pelo número de vítimas.

Logo no dia 3 de janeiro, quatro homens morreram em um acidente na BR-354, no trecho entre Cana Verde (MG) e Campo Belo (MG). Segundo os bombeiros, um caminhão carregado com bebidas invadiu a pista contrária e atingiu outros dois caminhões carregados com gado. Um outro homem também ficou ferido.

No dia 17 de março, três pessoas morreram depois que duas motos bateram de frente na MG-459. Morreram no acidente um casal de lavradores, de 36 e 39 anos, além de um borracheiro, de 46 anos.

No mesmo dia, um casal de Três Pontas (MG), que voltava de uma festa de aniversário, morreu depois que a motocicleta em que eles estavam foi atingida por um carro conduzido por um motorista embriagado. Renê Miranda, de 52 anos e Eliane Tempesta, de 47, morreram no local. A motocicleta em que eles estavam ainda pegou fogo na batida.

Casal que estava em moto morreu em acidente em Andradas (MG) — Foto: Reprodução/EPTV

Casal que estava em moto morreu em acidente em Andradas (MG) — Foto: Reprodução/EPTV

 

O que diz o especialista

Segundo o técnico de formação profissional do Sest/Senat, Kenedy Santos Pereira, o número de mortes registradas na região no 1º trimestre é alto e pode ser explicado por alguns fatores.

"É um número significativo, número alto. O cenário mantém a estatística de que homem morre mais. Agora esse aumento de 29% pode ser explicado pelo número de veículos, que é crescente, associado ao não investimento da via. Outro fator é a formação, quando da mudança de categoria, o condutor não estuda legislação do trânsito, só faz aula prática. A legislação é importante no sentido de direção defensiva, relação interpessoal, de mudança de comportamento", explica o técnico.

Segundo a Polícia Rodoviária, muitos dos acidentes ainda acontecem por imprudência dos motoristas. Para o especialista do Sest/Senat, a falta de fiscalização do Estado é outro fator que contribui para esse número de mortes.

"A bebida, quando surgiu a Lei Seca, houve uma redução, porque as pessoas ficaram com medo e acreditaram fielmente em uma fiscalização severa. Só que depois eles viram que deu uma relaxada, o Estado não teve o aparato, não teve como fazer. Uma legislação por si só solta no espaço, ela não vai surtir efeito. Falta fiscalização efetiva e conscientização", conclui o técnico do Sest/Senat.

Veja também