21/07/2019

Notícia/Região

Índios interditam BR-459 em MG em protesto contra Governo Federal

Foto: Marcelo Rodrigues/EPTV

Um grupo de cerca de 80 índios da tribo Xucuri Kariri de Caldas (MG) interditou os dois sentidos da rodovia BR-459 em um protesto na manhã desta quarta-feira (27). Segundo o cacique, o movimento acontece contra posicionamentos do Governo Federal, principalmente em relação ao setor da saúde indígena. Eles protestaram contra uma proposta do Ministério da Saúde de acabar com a Secretaria Especial de Saúde Indígena.

Na tribo, existe um posto com atendimento médico duas vezes por semana. Três enfermeiras trabalham todos os dias para atendimento exclusivo. As discussões do governo, segundo os índios, são sobre a municipalização da saúde nas aldeias.

"Nós temos posto de saúde, não é pra gente brincar. Muitas vezes, um exemplo, uma criança leva uma picada de cobra e tem que ter uma equipe pra cuidar dela. Pessoas adoecem, tem que ter uma equipe pra cuidar delas. Nós não queremos perder uma equipe médica, não queremos perder a nossa escola, não queremos passar uma fase de retrocesso dentro da nossa política", explicou o cacique Jal Sátiro.

O protesto

O índios chegaram ao trecho da rodovia, na entrada da aldeia, por volta das 9h30. A ideia do protesto era fechar os dois sentidos da rodovia por duas horas. Mas após uma negociação com a Polícia Rodoviária Federal, houve redução no tempo do protesto, que durou cerca de meia hora.

Filas de carros se formaram nos dois sentidos da pista, de Poços de Caldas a Pouso Alegre e no sentido contrário. Foi liberada a passagem apenas de veículos que transportavam medicamentos e pacientes.

Índios da tribo Xucuri Karari protestaram em rodovia de Caldas (MG) — Foto: Marcelo Rodrigues/EPTV

Índios da tribo Xucuri Karari protestaram em rodovia de Caldas (MG) — Foto: Marcelo Rodrigues/EPTV

Índios da tribo Xucuri Karari protestaram em rodovia de Caldas (MG) — Foto: Marcelo Rodrigues/EPTV

Retorno

 

O Ministério da Saúde esclareceu a questão do fechamento de postos de saúde nas tribos. Segundo a pasta, as ações na atenção básica indígena fazem parte das atribuições e que mudanças ainda estão sendo analisadas.

O ministério disse ainda que não exista uma medida provisória do Governo Federal que modifique a polícia indígena no país e municipaliza os serviços de saúde. O órgão ainda ressaltou que não haverá “descontinuidade das ações”.

Veja a nota na íntegra:

"O Ministério da Saúde esclarece que a realização de ações na atenção à saúde indígena desenvolvidas pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) é uma das atribuições da pasta e que as eventuais mudanças no desenvolvimento dessas ações de vigilância e assistência à saúde aos povos indígenas ainda estão sendo objeto de análise e discussão.

É importante deixar claro que não existe, no momento, medida provisória do Governo Federal que modifica a política indigenista do país e municipaliza os serviços de saúde de indígenas. Cabe ressaltar que não haverá descontinuidade das ações.

Para isso, o ministério tem se pautado pela garantia da continuidade das ações básicas de saúde, a melhoria dos processos de trabalho para aprimorar o atendimento diferenciado à população indígena, sempre considerando as complexidades culturais e epidemiológicas, a organização territorial e social, bem como as práticas tradicionais e medicinais alternativas a medicina ocidental."

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