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Publicada em: 12/05/2017 por Portal Campo Belo às 08:24:13 | Fonte informação: G1
Maternidade real: da depressão ao bom humor, como as mulheres lidam com o pós-parto?
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Meu filho nasceu. E de repente, depois de todo o preparo para o nascimento, você se dá conta de que é tudo muito diferente do que imaginava. As incertezas e inseguranças dos primeiros meses costumam derrubar bem rápido a ideia da maternidade idealizada. Na verdade, uma minoria passa por essa transformação sem qualquer frustração: 80% das mulheres sofrem com o chamado blues puerperal – tristeza e variações de humor após o nascimento do bebê.

Dessas mulheres, 20% terão depressão pós-parto, passível de tratamento com medicamentos e acompanhamento. Mas 100% terão que lidar com a adaptação física e emocional implicada na maternidade. Então, afinal, o que acontece com a mulher depois do parto?

Em 2014, as vidas da ilustradora Thaiz Leão, de 27 anos, e da YouTuber Helen Ramos, de 30 anos, mudaram radicalmente quando elas deram à luz seus filhos. A Helen teve o Caetano em fevereiro e a Thaiz ganhou o Vicente em junho. Para elas, a experiência foi tão forte, que elas contam terem nascido de novo.

“Você tem muito essa sensação de morte mesmo, inclusive da dor que você sente. Então é muito único”, diz Helen.

“É um período de transformação, semelhante ao que acontece com todo mundo na adolescência. Não dá pra passar ileso, e nem é esperado que se passe. A diferença é que dessa vez há um outro ser implicado: o bebê”, explica a psicanalista Vera Iaconelli, diretora do Instituto Gerar.

Fisiologicamente, o chamado puerpério dura 40 dias após o parto: o tempo que o corpo leva para voltar ao estado anterior à gravidez. Mas a leitura do período, para cada mãe, é diferente na prática. “Eu considero puerpério quando tem um envolvimento químico e físico do corpo muito forte, junto com toda a dificuldade que existe na maternidade”, diz Helen. Já a adaptação emocional, essa não tem data certa para acabar. “Eu acho que ainda não saí do puerpério”, conta Thaiz.

Também no período de pós-parto, segundo Carolina Ambrogini, ginecologista e obstetra da Unifesp, duas coisas costumam gerar grande estresse para as mães: problemas com a amamentação e transtornos de humor. “A placenta produz a progesterona que mantém a gravidez. Quando ela sai do corpo, esse hormônio cai 400 vezes e isso pode sim causar essas alterações de humor que são tantas vezes incompreendidas por quem está no entorno da mulher”. Helen passou pelo blues puerperal e desenvolveu depressão pós-parto.

“Tive uma amamentação muito difícil. Começou a passar o blues puerperal e eu vi que não melhorava. Quando a psiquiatra diagnosticou a depressão pós-parto, falei: ‘não, mas eu amo o meu filho’. E ela: ‘não, mas isso não tem nada a ver’. As mulheres têm vergonha de falar que têm depressão. Ela não é frescura, não é tristeza. Inclusive quando eu tinha depressão eu não sentia tristeza, tinha apatia”, desabafa.

 

Helen Ramos criou canal no YouTube para falar sobre a maternidade sem idealização (Foto: Estudio Cajuína)

Helen Ramos criou canal no YouTube para falar sobre a maternidade sem idealização (Foto: Estudio Cajuína)

A médica ainda explica que a adaptação durante o puerpério é extremamente complexa. “As mulheres hoje em dia são muito solitárias. A gente não sabe o que vai enfrentar e tudo o que ouve é uma visão idealizada e romântica das coisas. Pensa no enxoval, no chá de bebê, no parto, e quando a realidade acontece, ela parece muito diferente”, afirma. Foi o que a Thaiz sentiu ao contar aos seus pais que seria mãe.

Thaiz fala sobre o cotidiano com seu filho Vicente em suas ilustrações (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Thaiz fala sobre o cotidiano com seu filho Vicente em suas ilustrações (Foto: Marcelo Brandt/G1)

“As pessoas mais velhas têm essa mentalidade que tudo se resolve com dinheiro... Eu falei: ‘mãe, tanta coisa que você pode resolver com uma canja que você não faz ideia'”, relata.

Já Helen teve que aprender a “desromantizar” a maternidade quando engravidou antes do planejado. “Queria ser mãe, mas me via com 40 anos, rica, bem-sucedida, sabe? Tinha a impressão de que ser mãe é assim. ‘Ah, vou esperar ter dinheiro para ter filho’. Talvez esse dia nunca fosse chegar.”

Para Vera, a “fantasia” de que o amor surge imediatamente após o nascimento do bebê cria na verdade uma armadilha para os pais. “A visão equivocada sobre a maternidade atrapalha muito na elaboração dessas mudanças. A mulher se sente culpada, acha que está errada ao sentir o que sente. É só na nossa cultura que o nascimento é um acontecimento individual, ou do casal. Na verdade, o nascimento é uma chegada à coletividade".

 

"O bebê precisa de cuidado comunitário. Mas isso em geral não acontece. Na nossa cultura, o abandono social é vendido como ‘uma boa mãe dá conta sozinha’. Você desresponsabiliza o grupo e super responsabiliza a mulher", diz a psicanalista.

 

Foi o que Helen observou depois de perceber que muitas mães se sentiam como ela. “Não adianta você ‘desromantizar’ a maternidade, e a sociedade não.

 

Alternativas e ‘válvula de escape’

 

Além das coincidências sobre as idades de seus filhos, o que também une Thaiz e Helen é a forma que encontraram para lidar com as inseguranças, dúvidas e problemas da maternidade. Ambas criaram projetos que falam sobre as descobertas dessa fase de forma direta e bem-humorada.

Terminando uma graduação em design, a Thaiz fez o primeiro desenho contando sobre a sua nova vida quanto o Vicente tinha apenas 3 meses. Para ela, as tirinhas funcionavam como um “diário de bordo”. “Foi por necessidade minha. Para mim, pareceu muito prático desenhar, porque eu conseguia reunir o começo e o fim de uma história. Eu comecei a fazer para mostrar para os meus amigos porque, naquele momento, só eu era mãe”, conta.

Tirinha do projeto

Tirinha do projeto "Mãe Solo", de Thaiz Leão (Foto: Mãe Solo/Thaiz Leão)

Após publicar seus trabalhos em seu perfil no Facebook, seus amigos a incentivaram a torná-los públicos, o que deu origem ao “Mãe Solo”. Os temas surgem conforme as experiências que a Thaiz tem com seu filho. “A demanda é observação na casa, vivência”, conta. Atualmente, a página do Facebook que divulga a iniciativa tem quase 70 mil likes, e uma loja virtual vende as criações, como o livro “Chora lombar - Maternidade Na Real”, camisetas e pôsteres.

Thaiz conta que as experiências vão mudando e refletem sua vivência com seu filho, Vicente, de 3 anos (Foto: Mãe Solo/Thaiz Leão)

Thaiz conta que as experiências vão mudando e refletem sua vivência com seu filho, Vicente, de 3 anos (Foto: Mãe Solo/Thaiz Leão)

Com a Helen, demorou um pouco mais. Ela criou o canal no YouTube Hel Mother quando o Caetano já tinha pouco mais de 2 anos. Após uma pesquisa, percebeu que ninguém produzia vídeos sobre o assunto. E contou com um empurrão das amigas, que publicaram o primeiro vídeo no dia das mães de 2016. “Eu sentava em uma roda, contava uma história e todo mundo passava mal de rir. Dois minutos depois, elas estavam emocionadas. A gente achava que ia dar muito certo”, conta.

 

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