19/05/2019

Notícia/Colunista

Por Doutor Tássio Alvarenga Lopes: Uma roupa chamada doença!

Foto: Dr. Tassio Alvarenga Lopes

Em todo fim de ano desejamos, efusivamente, saúde e dinheiro para nós e para quem amamos. Estar gozando de um boa saúde mental e física e com dinheiro no bolso é o sonho de muitas pessoas, pois possibilita uma vida de mais prazer e realizações. Como é bom não sentir dores, dormir bem, comer bem e manter os pensamentos e o humor sempre positivos. Nossa independência individual advém desta tríade - saúde física, saúde mental e saúde financeira!

Sempre que adoecemos procuramos algum profissional da área de saúde. Vamos ao médico, ao psicólogo, ao dentista, ao fisioterapeuta, enfim, procuramos quem detém conhecimentos para nos ajudar a restabelecer nosso equilíbrio fisiológico. Uma vez curados, nós queremos voltar aos nossos estudos, trabalhos e vida social. Este é o caminho que todos seguem, correto? Nem sempre!

Existem pessoas que preferem continuar doentes! Pode parecer estranho isto, mas é muito comum vermos pacientes que não desejam se curar. Vestem a roupagem da doença, assumem a posição de eternos doentes e não se colocam dispostos a se curarem, mesmo que os melhores recursos médicos estejam disponíveis. A posição de doentes lhe proporcionam uma atenção especial em suas famílias e ambiente de trabalho e certos benefícios são conseguidos sem muito esforço. Muitos deixam de executar os afazeres de casa, pois não se veem em condições de saúde de ajudar. Outras pessoas, devido à sua doença, vivem de atestados médicos intermináveis e, procuram, sempre, desvios ou reajustamento de função laborativa.

A gênese por detrás desta postura de "doente sem cura" envolve mecanismos inconscientes e conscientes de comportamento reforçados pelas atitudes de parentes e colegas de trabalho. Filhos de pessoas poliqueixosas aprendem que estar doente pode trazer ganhos. Mães e pais superprotetores criam um cultura de que seus filhos não podem passar por nenhum agravo e, caso adoeçam, estes filhos são vistos pelos mesmos como incapacitados para as atividades familiares, colocando os em posição de perenes "coitados". Em muitos ambientes de trabalho, a posição de doente é benéfica. Certas funções insalubres serão executados por terceiros.

Adoecer envolve questões genéticas, ambientais e psicológicas. Estar doente e querer melhorar é sempre a melhor conduta e deve ser reforçada por todos ao derredor. Não podemos criar a figura do doente incapacitado para todas as atividades da vida. Existem doentes crônicos que merecem nosso carinho e atenção, mas mesmos estes mantém habilidades sociais e funcionais importantes. Todo doente psiquiátrico tem condições de executar alguma atividade física, de auxiliar nas atividades do lar e de ser útil e de se sentir útil. O médico não pode alimentar a ideia de doença como algo intratável, deve, ao contrário, estimular seu paciente a ser o principal ator em seu processo de cura. O médico deve fornecer a boia de salvamento, mas quem nada até a margem do rio é sempre o paciente.

autor

DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

CRMMG 47.499 RQE 34.293

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDENCIA MEDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

 

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