22/04/2019

Notícia/Colunista

Por Dr. Tássio Alvarenga Lopes: pensamentos que maltratam crianças e adolescentes!

Foto: Dr. Tassio Alvarenga Lopes

Uma pequena, mas significativa, proporção de crianças e adolescentes tem frequentado os consultórios psiquiátricos atemorizados por pensamentos estranhos que dominam suas mentes e seus comportamentos, trazendo intenso sofrimento. Estes jovens, na maioria das vezes, têm noção de que tais pensamentos são irreais, mas não conseguem dominá-los. Quando já exaustos com os mesmos procuram os seus pais e outros parentes para conversarem sobre a existência de tais ideias, mas muitas das vezes não são compreendidos e chamados até de loucos por alguns. Quando intensos e agudos promovem queda do desempenho acadêmico, isolamento social, insônia, hiporexia e sintomas depressivos.

Vamos exemplificar alguns tipos de pensamentos obsessivos que tem atormentado nossas crianças. Pensamentos de que os pais irão morrer. Ideias de que as mãos estão sujas. Medo de ter tido palavras ofensivas as pessoas que estão ao derredor, mesmo que não tenham dito nada. Crianças com domínio de religião podem pensar que blasfemaram contra o espírito santo. Ideias obsessivas de rezarem várias vezes na cabeça. Pensamentos de conferirem com frequência se portas e janelas estão fechadas. Ideias dominantes de simetria - tudo tem que estar perfeitamente em seus lugares. Medo de terem alguma doença grave como aids ou câncer. 

Tais pensamentos governam a cabeça de tais jovens a ponto de modificarem os comportamentos dos mesmos. Ficam mais introvertidos, calados, com aspecto de estarem desatentos, mas, na verdade, estão pensando e sofrendo todo momento. São vistos, em muitas situações, como crianças que não trazem problemas devido aos seus estilos mais tímidos, mas estão sofrendo e necessitando de ajuda. Quando não conseguem dominar mais as ideias, passam a conferir portas e janelas, a lavarem mãos em demasia, a repetirem um ato várias vezes, a colocarem objetos em simetria com os outros, a demorarem a tomar banho, enfim, passam a chamar a atenção por apresentarem posturas estranhas em casa e na escola e como consequência são chamados de doidos e viram chacotas nas mãos de sádicos.

O importante é saber identificar tais crianças e adolescentes e orientá-las que de tais pensamentos correspondem a uma doença de fácil controle e tratamento - o transtorno obsessivo compulsivo.  O diagnóstico e tratamento precoce reduzem os sintomas, evitam a queda no desempenho acadêmico, minimizam as chances de desenvolvimento de depressão comórbida e devolvem a vivacidade e qualidade de vida aos pacientes.

Caso você conheça alguma criança sofrendo desta forma, oriente sua família a levá-la a um psiquiatra!

autor

DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

CRMMG 47.499 RQE 34.293

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDENCIA MEDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

 

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