23/04/2019

Notícia/Região

Documentos apontam que Vale sabia de riscos em Brumadinho há pelo menos um ano

Foto: Douglas Magno / O Tempo

Documentos internos da Vale mostram que a empresa já tinha conhecimento sobre o risco de rompimento da barragem 1 da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), desde novembro de 2017. A informação foi publicada pela agência de notícias Reuters e confirmada por investigadores do caso. Esse relatório interno da mineradora aponta que a barragem — que se rompeu em 25 de janeiro, causando a morte de ao menos 165 pessoas — tinha chance de colapso duas vezes maior que o "nível máximo de risco individual" tolerável pela empresa.

Outro documento da companhia anexado recentemente às investigações mostra mais um alerta sobre o risco do rompimento da barragem de Brumadinho. Datado de outubro de 2018, o relatório interno diz que a estrutura tinha duas vezes mais chances de se romper do que o nível máximo tolerado pela política de segurança da Vale.

Na segunda-feira, o blog do colunista Lauro Jardim revelou que, segundo o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, a mineradora sabia do risco de rompimento da barragem em Brumadinho e ao menos de mais oito barragens desde outubro de 2018.As informações constam numa ação civil pública movida pelo MP contra a Vale, em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas.

Na decisão, o juiz do caso, Sergio Fernandes, refere-se ao documento interno da empresa de 2018 abordado pelos promotores:

"Com efeito, os documentos colacionados pelo Ministério Público (cita os documentos) aventam que em outubro de 2018 já havia sido constatado pela ré o grau de risco de rompimento das barragens indicadas", diz a decisão.

No mesmo despacho, o MP diz que requisitou à Vale informações do setor de risco da companhia "sendo apresentados documentos que demonstram que, em outubro de 2018 a requerida (Vale) tinha ciência de que 10 barragens dentre as 57 avaliadas, estavam em zona de atenção (Alarp Zone)", entre elas a barragem 1 da mina córrego do Feijão, que causou a tragédia em Brumadinho.  

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