22/02/2019

Notícia/Colunista

Dr. Tássio Alvarenga: Matando o pinto no ovo!

Foto: Dr. Tassio Alvarenga Lopes

Há um bom tempo venho pensando em redigir sobre um assunto muito comum em consultório de psiquiatria e que muito angustia o psiquiatra e que impede o sucesso de boa parte dos tratamentos com psicotrópicos - a impaciência dos clientes em esperar as respostas terapêuticas dos fármacos! 

A maioria das medicações psiquiátricas demoram certo tempo para fazerem efeito parcial e, levam mais tempo ainda, para atingirem uma resposta terapêutica quase total. Exemplificando, os antidepressivos de uso diário - fluoxetina, paroxetina, sertralina, venlafaxina, duloxetina, escitalopram, dentre outros, levam em média 15 dias para iniciarem os seus efeitos benéficos parciais, com seus auges de resultados por volta de 90 dias. Isto significa que a maioria dos pacientes que iniciarem tratamento hoje não sentirão o efeito benéfico amanhã ou depois de amanhã. Serão necessários dias para se sentirem melhores com a medicação. Lógico que dependendo da gravidade da doença outras medicações adjuvantes (auxiliares) podem ser prescritas conjuntamente para que o paciente se sinta melhor até a resposta efetiva. Outro exemplo de fármaco muito utilizado e que demanda tempo para surtir feito é o grupo dos antipsicóticos - haloperidol, risperidona, quetiapina, olanzapina, clozapina, dentre outros. Eles são muito utilizados em pacientes com diagnósticos de esquizofrenia, de transtorno bipolar e de psicoses em geral e para apresentarem uma resposta de 25 a 50% gastam em média 06 semanas, mas existem casos com melhora somente após 12 semanas ou mais. Quanto mais grave uma doença mental seja, mais tempo, mais remédios e doses mais altas de fármacos serão necessários para se obter sucesso.

Cada paciente responde de uma forma ímpar às medicações. Existem pacientes classificados como metabolizadores rápidos, ou seja, quando tomam os medicamentos estes são rapidamente metabolizados no fígado e o resultado dos mesmos é quase imperceptível. Pelo contrário, existem os metabolizadores lentos que com doses pequenas de remédios apresentam efeitos colaterais intensos e sortidos. Outra situação importantíssima no tratamento é o tempo de doença do paciente e se usa outros remédios para outras doenças. Paciente com 10, 15, 20 ou mais anos de tratamento não respondem tão rápido à medicação e podem levar o dobro ou triplo de tempo para melhorarem e se utilizarem remédios para cardiopatias, pneumopatias, nefropatias ou para outras enfermidades, as repostas dos psicotrópicos podem ser alteradas devido às interações medicamentosas e ao estado clínico mais comprometido. 

Resumindo, não mate o pinto no ovo! muitos pacientes que se beneficiariam com certos medicamentos psiquiátricos deixam de tomá-los por não esperarem o tempo adequado. Quantas pessoas tomam 02, 03 ou 05 comprimidos e desistem do remédio. Em muitas situações o remédio prescrito era o ideal, iria ser eficaz, mas a impaciência impediu que os frutos fossem colhidos. Uma mãe leva 9 meses para ter seu filho no colo, uma galinha leva 21 dias para ter seus pintinhos e uma elefanta espera 22 meses para ter seu elefantinho (quase 02 anos).  Por que não esperar 15, 30, 45 dias para obter sucesso com um remédio. Na dúvida converse sempre com seu médico e o mantenha informado da evolução do seu tratamento.

 

autor

DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

CRMMG 47.499 RQE 34.293

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDENCIA MEDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

 

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