23/03/2019

Notícia/Colunista

Fui pego fugindo! E agora?

Foto: Image result for um sonho de liberdade Um Sonho de Liberdade - 1994

Um grande clássico do cinema fora lançado em 1994 - Um Sonho de Liberdade. Ambientado em 1946, conta a história de Andy Dufresne (Tim Robbins), um banqueiro condenado a duas prisões perpétuas por ter matado sua esposa e seu amante (crimes que nunca cometera). Na cadeia conhece Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman) e juntos constroem uma grande amizade. Inteligente, Dufresne transforma as dificuldades da prisão em oportunidades e elabora um plano de fuga de um dos presídios mais fortificados da época. Fugitivo, Andy sai dos Estados Unidos e vai morar em uma cidade mexicana - Zihuatanejo - local onde irá receber seu amigo de prisão Redding, após este receber liberdade por mais de 40 anos preso. Embora este grande filme aborde questões muitos mais profundas como a resiliência humana, os caminhos a serem tomados ou não em nossas vidas e a importância das amizades em nossa construção pessoal, o que eu gostaria de ressaltar, neste encontro, é a condição de fugitivo de Andy Dufresne e o que isto significa na vida de quem está nesta situação.

Ser um fugitivo é estar em uma condição de falsa liberdade. Embora saibamos quem somos, precisamos assumir outra identidade. Forjamos novos documentos. Andamos a noite, na escuridão, pois a luz do dia pode revelar nossa face. Estamos sempre cabisbaixos e procuramos viver em locais onde ninguém nos conheça. Precisamos abandonar família, amigos e conhecidos e nos jogamos em uma jornada de fugas e esconderijos. Estamos sempre de sobressalto, escondendo nossos atos. Aos poucos, vamos nos acostumando com o novo status e nossa verdadeira identidade vai se apagando como um borracha retira as marcas do lápis de uma folha de papel. Por fim, não nos reconhecemos mais! 

Quantos fugitivos existem entre nós? Poucos? Nenhum? Eu diria que existem milhares e se analisarmos nosso estilo de vida poderemos, fortuitamente, enquadrar-nos nesta condição. Em muitos momentos empreendemos movimentos de fuga frente as dificuldades da existência humana, tais como perdas financeiras, morte de entes queridos, traumas da infância e decisões pessoais importantes. Optamos então por caminhos desesperadores de consumo de drogas, bebidas e cigarros. Passamos a comer compulsivamente. Procuramos nas lojas e nas compras incontroláveis nossa verdadeira identidade. O corpo perfeito passa a ser a solução dos problemas e as cirurgias plásticas se somam. Malhamos e usamos anabolizantes.  A vida pródiga e boêmia se apresentam como um bote salva vidas. Queremos a jogatina. Envolvemos sem limites com as mídias sociais. Quando percebemos, estamos em uma fuga frenética e, agora, a consequências desta vida esquiva se somam com os sofrimentos primários que nos levaram a estarmos foragidos. E se somos descobertos? envergonhamo-nos e, na maioria das vezes, aprofundamos nossos atos erráticos de fuga.

Gostamos da liberdade, de sermos reconhecidos, de nos sentirmos valorizados, mas enquanto estamparmos os cartazes com os dizeres "Procura-se vivo ou morto", nunca estaremos felizes. Precisamos, em primeiro lugar, reconhecermos nossa condição de fugitivos e, secundariamente, procurarmos ajuda para sermos livres. Um bom psiquiatra, um empático psicólogo, um líder religioso prestativo são caminhos valiosos para um "Sonho de Liberdade". Permita-se à cura da alma!

autor

DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

CRMMG 47.499 RQE 34.293

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDENCIA MEDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

 

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