14/12/2018

Notícia/Colunista

Por Doutor Tássio Alvarenga Lopes: "Pensar. Sentir. Olhar. Existir..."

Foto: Dr Tassio Alvarenga Lopes

“Doutor Tássio Alvarenga Lopes, psiquiatra com formação em medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora, começa nesta data, uma importante jornada como colunista do Portal Campo Belo, trazendo informações que nos farão pensar e refletir diversos temas importantes para a vida, como o primeiro tema “Pensar, Sentir, Olhar, Existir” que nos fará refletir sobre nossa existência.” Equipe Portal Campo Belo.

 

Para iniciar uma relação indireta, mas profunda, como a que proponho nesta ocasião em que início esta jornada como colunista, é necessário um tema que nos situe sobre nossa condição mais genuína e angustiante - existir como um ser. influenciar e deixar marcas no ambiente e, paralelamente, ser modificado pela existência de nossos pares, já seriam provas irrefutáveis de nossa presença física e mental. Mas, hoje, gostaria de apresentar três enfoques interessantes sobre existência, com um olhar muito especial sobre a visão de Donald Woods Winnicotti, um pediatra e psicanalista inglês, que trouxe a luz conceitos impactantes sobre o ser.

"Penso, logo existo". O matemático e filósofo francês René Descartes foi o autor desta frase célebre propondo a razão como o motivo principal da existência humana. Pensar, raciocinar, questionar, duvidar enfim, usar nosso potencial cognitivo, seria a prova indubitável de nossa existência. Esta forma cartesiana de pensar o mundo ainda se faz presente na atualidade, desde as diárias e informais discussões entre nossos entes queridos, até aos embates mais profundos de nossos meios acadêmicos. Pensar é uma condição inerente ao ser humano e, que, junto à comunicação, torna os humanos diferenciados entre as outras formas de seres. Mas, seria a razão a condição sine qua non do existir? 

"Existo onde não penso" ou "penso onde não existo" Sigmund Freud, o pai da psicanalise, e seus sucessores, como Jacques Lacan, questionaram a forma cartesiana e métrica de pensamento, descortinando para ao mundo o conceito de um "espaço" até então misterioso - O inconsciente. A razão perde sua posição de destaque. O inconsciente sobe ao trono como o responsável pela nossa existência. Existimos em um espaço no qual sentimentos, memórias, traumas e sensações se misturam e nos tornam seres únicos e diferenciados uns dos outros. Mas, afinal quem está correto? Ninguém! Somos seres Complexos e verdades absolutas não existem. A dúvida é a medicação curativa dos homens! porém, antes de encerrar este nosso primeiro encontro, exponho abaixo um conceito de existência, o qual, humildemente, acredito ser de um préstimo impactante sobre as sociedades hodiernas.

"Olho e sou visto, logo existo". Donald Woods Winnicott foi um pediatra e psicanalista inglês que, ao acompanhar mais de 50.000 crianças, observou que a relação primária entre a mãe e filho são de extrema importância na construção do ser humano e, portanto, em sua existência. A criança ao fitar os olhos de sua mãe se vê e logo conclui que existe. A criança se vê no primeiro e mais valoroso espelho da vida - os olhos de sua mãe. Vale ressaltar que a figura da mãe pode ser substituída, na ausência desta, pela presença do pai, dos avós, de outro ente próximo, enfim de um cuidador amoroso. A importância deste conceito é vital para a estruturação dos seres que formam as urbes. Todos nós nascemos dependentes ao extremo de uma figura tutelar. Nascemos nus, com frio, com fome, carentes e necessitamos desta personagem materna. Imaginemos se de uma forma súbita os olhos desta mãe não mais refletirem nossa imagem? E se a imagem refletida for desfocada? E se neste espelho da vida aparecermos menores ou maiores do que somos? Quais seriam as consequências para formação de nosso ser, nosso temperamento, nosso caráter, enfim de nossa personalidade? 

Reflita sobre este texto, veja qual ideia você mais se perfila, mas tenha certeza de que existir é único, complexo, racional, inconsciente, mas acima de tudo é a reflexão de uma construção que se inicia no primeiro ato de respirar, na primeira sensação cutânea, no primeiro choro de insatisfação, mas acima de tudo no primeiro olhar.

Semana que vem vamos dar continuidade a este texto abordando o tema - "Bordenilização" da sociedade atual -  a importância da mãe suficientemente boa!

autor

DR. TASSIO ALVARENGA LOPES

CRMMG 47.499 RQE 34.293

PSIQUIATRA COM FORMAÇÃO EM MEDICINA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E RESIDENCIA MEDICA EM PSIQUIATRIA PELO CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE BARBACENA DA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE MINAS GERAIS.

 

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